Destruída, tomada pela praga ou bombardeada – Londres está sempre em alta

Em quase 20 séculos de existência, Londres já viu de tudo. Incêndio, doença, tumulto e bombardeio; riqueza, criatividade e excessiva auto-confiança. Parece que só a versatilidade e a adaptabilidade são constantes: sempre foi o porto, o forte, o mercado, a sede do governo e o ponto de encontro nacional. De acordo com o romancista Ford Madox Ford em The Soul of London: ‘A Inglaterra é um país pequeno. O mundo é infinitésimo. Mas Londres é ilimitável’.Enquanto o tamanho da capital e sua rápida expansão sempre fascinaram os visitantes, as origens da cidade estão longe de serem grandiosas.

Tribos celtas viviam em comunidades espalhadas ao longo das margens do Tâmisa antes de os romanos chegarem à Grã-Bretanha. Mas não há evidências de povoados no lado da futura metrópole antes da invasão do imperador Cláudio em 43 d.C. Durante a conquista romana do país, atravessaram o Tâmisa no seu ponto mais raso (perto da atual London Bridge) e, mais tarde, construíram uma ponte de madeira ali. Formou-se, então, um povoado no lado norte.

Nos dois séculos seguintes, os romanos construíram estradas, cidades e fortes e o comércio floresceu. O progresso foi interrompido em 61 d.C. quando Boadicéia, a viúva do clã de Ânglia Oriental, rebelou-se contra as forças imperiais que tomaram sua terra. Quando os romanos a açoitaram e estupraram suas filhas, a tribo Iceni se revoltou e destruiu a colônia romana em Colchester antes de marchar para Londres.

Os habitantes romanos foram massacrados e seu povoado, arrasado. No ano seguinte, Boadicéia foi derrotada na Batalha de Watling Street e diz a lenda que foi enterrada onde é atualmente a plataforma 10 da King’s Cross Station. Depois de restabelecida a ordem, a cidade foi reconstruída e por volta de 200 d.C. foi erguida uma muralha de 3,2 quilômetros e 5,4 metros de altura ao redor dela.

Existem lá pedaços dela até hoje e os nome originais dos portões – Ludgate, Newgate, Bishopsgate e Aldgate – estão preservados no mapa da cidade moderna. A rua conhecida como London Wall tem parte de seu trajeto. No século 4, enfraquecido pelas invasões bárbaras e lutas internas, o Império Romano entrou em declínio. Em 410, as últimas tropas se retiraram e Londres se tornou uma cidade fantasma.

Arquitetura
Como nunca antes, a arquitetura londrina está em alta. Quase literalmente. Ken Livingstone gosta de prédios altos e a maioria dos conselhos regionais concorda com ele. Nos últimos anos foram aprovadas mais propostas de arranha-céus do que nas duas décadas anteriores juntas. É só dar uma olhada ao redor para perceber que esses projetos grandiosos irão alterar de forma significativa o panorama da cidade, antes feita de praticamente de prédios baixos de tijolos.

É verdade que Londres está em constante fluxo criativo, mas alguns fluxos são mais extremos que outros. Ainda leva tempo para que a cidade fique parecida com Chicago, que cresceu em direção ao céu depois do incêndio em 1871, mas a Londres moderna também formou sua personalidade depois de uma tragédia do Grande Incêndio de 1666. O fogo destruiu cinco sextos da City of London, deixando em cinzas cerca de 13.200 casas e 89 igrejas.

A história não tem o registro exato de quantas pessoas morreram. Foram poucas as vítimas registradas. A devastação é lembrada no Monument, de Sir Christopher Wren, de 62 metros; muitos dos mais belos prédios da City ainda estão de pé para atestar o talento desse homem, o arquiteto da reconstrução, e de seus sucessores. Londres era uma cidade densamente populosa, feita de madeira, com um primitivo controle contra incêndios.

Foi somente depois de três dias de inferno que as autoridades concordaram em estabelecer regras para as construções. Pedra e o tijolo seriam os materiais básicos e as ruas principais seriam alargadas para dificultar a propagação do fogo. Apesar das propostas grandiosas dos arquitetos (inclusive de Wren) de reconfigurar a cidade seguindo linhas clássicas, Londres foi remodelada seguindo o desenho de suas antigas ruas, onde os prédios sobreviventes seriam monumentos ao passado.

O principal é a Torre de Londres de Norman, iniciada depois da conquista de Guilherme em 1066 e seguindo pelos próximos 300 anos; a Marinha conteu as chamas do Grande Incêndio implodindo as casas vizinhas antes que o inferno pudesse atingi-la. A Westminster Abbey também sobreviveu; começou a ser erguida em 1245 quando o local ficava muito distante das muralhas de Londres e concluída em 1745 quando o arquiteto das igrejas Nicholas Hawksmoor adicionou as torres ocidentais.

Embora a abadia seja a mais francesa das igrejas góticas da Inglaterra, com influência vinda do outro lado do canal, a capela adicionada por Henrique VII, concluída em 1512, é puro estilo Tudor. Séculos mais tarde, Washington Irving declarou: ‘Parece que o peso e a densidade das pedras, maestralmente lapidadas, foram retirados, para que pudessem ser suspensas com se fosse mágica.’

A renascença européia chegou atrasada na Grã-Bretanha, fazendo sua estréia em Londres em 1622 com Banqueting House, de Inigo Jones. O suntuoso teto decorativo adicionado por Rubens em 1635 celebrava o Direito Divino da monarquia Stuart, embora 14 anos depois o rei Charles I tenha proporcionado um espetáculo ainda maior ao ser expulso da sala e decapitado em seguida. Os turistas também devem ver a Jones a St Paul’s Covent Garden e a imaculada Queen’s House em Greenwich.

Escrito por Time Out Viagem editors
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