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Jesus cita solidão em começo na Inglaterra e diz que Neymar uniu seleção olímpica

| BRASILEIROS EM MANCHESTER, FUTEBOL INGLÊS, NOTÍCIAS EM LONDRES E REINO UNIDO, BRASILEIROS EM LONDRES, BRAZILIANS IN THE UNITED KINGDOM, ESPORTES NO REINO UNIDO | 19/12/2017


Em relato no “The Players Tribune”, atacante diz ter sentido falta da mãe e relembra episódios de curta carreira, como reencontro com ex-adversário na várzea que prometeu quebrar suas pernas

Enquanto fazia sucesso nos gramados no início de sua trajetória no Manchester City, Gabriel Jesus teve dificuldade como morador da cinzenta cidade inglesa nos primeiros dias. O atacante revelou em longo relato no site “The Players Tribune” que sentiu-se um pouco solitário quando se mudou para a cidade onde hoje é uma das grandes estrelas, muito por falta de sua mãe, dona Vera, a quem é apegado.

Afirmando que recebeu ofertas de clubes de “lugares mais quentes”, o jovem de 19 anos voltou a dizer que escolheu o City pela influência de Guardiola. E frisou o quanto sentiu as diferenças entre a Inglaterra e o Brasil.

– Esta é minha primeira vez num país que é realmente muito frio e onde eu não falo a língua. É um desafio ser compreendido, e pode ser solitário nesse sentido. No entanto, quando Guardiola me ligou enquanto eu decidia para qual clube eu ia jogar, ele disse que estava contando comigo. Eu posso dizer que o Guardiola estava sendo verdadeiro – e no futebol isso significa muito – disse Jesus.

Gabriel relembrou boa parte de sua trajetória, desde um simples menino habilidoso que jogava em campos de várzea até se transformar no atacante titular da seleção brasileira. E dedicou sua atenção a um dos momentos mais especiais da carreira: a disputa do torneio de futebol masculino das Olimpíadas do Rio de Janeiro no ano passado, quando participou da conquista da inédita medalha de ouro.

Lembrando que dois anos antes estava pintando as ruas do Jardim Peri, seu bairro em São Paulo, com rostos de ídolos como David Luiz e Neymar, Gabriel Jesus fez questão de exaltar a postura do astro do PSG no torneio olímpico, dizendo que o camisa 10 foi o líder da equipe e lidou bem com as críticas duras na primeira fase. Para Jesus, Neymar teve responsabilidade direta na união do time em torno do objetivo.

– Antes do campeonato, eu era apenas mais um fã do Neymar, como tantas outras pessoas. Ele é um jogador de futebol incrível, que todo muito conhece. Mas ter a chance de saber quem ele é de verdade durante esse período…foi especial, por causa do jeito dele. A forma que ele trata todo mundo me surpreendeu bastante – porque mesmo no curto período de tempo que eu vivi no futebol, eu vi tantos caras que nem são grandes jogadores, que não ganharam nada, serem mascarados.

Mas o Neymar trata todo mundo como se fosse irmão dele. Ele foi a grande razão pela qual a gente foi capaz de se unir e ignorar a pressão e jogar um para o outro.

Gabriel relembrou muitos episódios de sua curta carreira, exaltando o papel do clube Pequeninos em seu desenvolvimento, a convivência com amigos muito pobres e agradecendo a ajuda do técnico José Francisco Mamede. O atacante citou uma final em que seu time perdeu para a Portuguesa em um campo escorregadio, sentindo falta de chuteiras adequadas. Modelos que ele, no ano passado, doou para o Pequeninos em 250 pares.

Fatos curiosos dos tempos em que disputava campeonatos de várzea também foram relembrados pelo jogador, que relatou a ameaça de um adversário de “quebrar suas pernas” após uma final. Anos depois, em 2016, quando veio ao Brasil para o Natal, acabou reencontrando este ex-zagueiro irritado, que trabalhava em um estacionamento.

Entitulado “Liga para a mãe”, o texto começa e termina com uma homenagem de Gabriel Jesus à sua mãe, concretizada a cada gol marcado pelo jogador. Jesus afirmou que sempre que balança as redes, “o telefone toca”, e ele entra em contato com dona Vera, onde quer que ela esteja. O jovem agradeceu a influência positiva de sua mãe na carreira, dizendo que ela deu a oportunidade necessária e o apoio para que ele perseguisse o sonho de ser jogador de futebol.

Gabriel deixou uma mensagem para jovens que tentam concretizar suas aspirações dentro do futebol, relembrando como os frutos de sua carreira vieram de forma rápida e surpreendente – do desejo por uma lata de refrigerante com pão de mortadela ao fim do treino até o status de um dos atacantes mais badalados do mundo.

– Quatro anos antes de eu andar pelo túnel do estádio Etihad, eu ainda estava jogando na várzea – e os caras estavam falando que iam quebrar minhas pernas num estacionamento. Sua vida agora pode ser apenas sanduíche de mortadela com refrigerante. Mas se você continuar a correr atrás dos seus sonhos, cara… quem é que sabe o que pode acontecer?!? A água pode se transformar em vinho… Então, para todas as crianças. Se você chegou até aqui na minha história, eu tenho uma mensagem final, e isso é realmente importante. Jamais parem de sonhar. Ah, façam mais uma coisa por mim. Liguem pra Mãe. Ela sente saudade – encerrou.
Fonte: O Globo

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