ESTUDO DE UNIVERSIDADE INGLESA DESCOBRE FORMA REVOLUCIONÁRIA DE TRANSFORMAR LUZ SOLAR EM ENERGIA RENOVÁVEL

 Configuração experimental de dois eletrodos mostrando a célula fotoeletroquímica iluminada com luz solar simulada (University of Cambrige)

Resultado abre um novo horizonte para o desenvolvimento de futuros sistemas de conversão de energia solar

ALEXANDRE PELEGI

Para quem não se lembra das aulas de Ciências na escola, vale recordar o fenômeno da fotossíntese, processo que as plantas usam para converter a luz solar em energia.

O oxigênio produzido nessa reação natural nasce como um subproduto da fotossíntese quando a água absorvida pelas plantas é “dividida”. É uma das reações mais importantes do planeta, porque é a fonte de quase todo o oxigênio do mundo.

Pois bem, acadêmicos da respeitada Universidade de Cambridge, na Inglaterra, sabem que o hidrogênio que é produzido quando a água é dividida poderia ser uma fonte verde e ilimitada de energia renovável. Diante disso, por que não fazer uma fotossíntese “semi-artificial” para explorar novas formas de produzir e armazenar energia solar?

Os pesquisadores usaram luz solar natural para converter água em hidrogênio e oxigênio, usando uma mistura de componentes biológicos e tecnologias produzidas pelo homem.

A pesquisa poderia ser usada para revolucionar os sistemas usados para produção de energia renovável.

Um novo artigo, publicado na revista Nature Energy, descreve o estudo, e mostra como os acadêmicos do Laboratório Reisner, no Departamento de Química de Cambridge, desenvolveram sua plataforma para obter uma divisão de água não assistida movida a energia solar. O método desenvolvido por eles em laboratório conseguiu absorver mais luz solar do que a fotossíntese natural.

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Katarzyna Sokol

Katarzyna Sokół, primeira autora e estudante de doutorado do St John’s College, explica que a fotossíntese natural não é eficiente porque evoluiu meramente para sobreviver, “por isso produz a quantidade mínima de energia necessária – cerca de 1-2 por cento do que poderia potencialmente”.

Apesar de existir há décadas, a fotossíntese artificial ainda não foi usada com sucesso para criar energia renovável, pois isso depende do uso de catalisadores, geralmente caros e tóxicos. O que significa dizer também que ainda não pode ser usada para ampliar as descobertas para um nível industrial.

A pesquisa de Cambridge faz parte do campo emergente da fotossíntese semi-artificial, que visa superar as limitações da fotossíntese totalmente artificial, usando enzimas para criar a reação desejada.

Sokół e a equipe de pesquisadores conseguiram melhorar a quantidade de energia produzida e armazenada. E esperam que suas descobertas permitam o desenvolvimento de novos sistemas de modelos inovadores para conversão de energia solar.

Para o Dr. Erwin Reisner, chefe do Laboratório Reisner, membro do St. John’s College, da Universidade de Cambridge, e um dos autores do artigo, a pesquisa pode ser descrita como um “marco”: “este trabalho supera muitos desafios difíceis associados à integração de componentes biológicos e orgânicos em materiais inorgânicos para a montagem de dispositivos semi-artificiais e abre um novo horizonte para o desenvolvimento de futuros sistemas de conversão de energia solar.

 

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