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AS BOLSISTAS BRASILEIRAS DO PROGRAMA CHEVENING NO REINO UNIDO

| PESQUISA NA GRÃ-BRETANHA, LONDRES, ESTUDAR NO REINO UNIDO, UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE, ESTUDAR EM LONDRES, INTERCÂMBIO NO REINO UNIDO, UNIVERSIDADES DA INGLATERRA | 02/09/2018

Destino favorito de muitos brasileiros, o Reino Unido concentra, diversas universidades reconhecidas internacionalmente, uma vida cultural intensa e a possibilidade de experimentar um cotidiano multicultural. No entanto, os altos custos envolvidos em estudar nessa parte do mundo podem ser impeditivos, se quem está interessado em ir para lá não conhecer o programa de bolsas Chevening.

As Chevening Scholarships são concedidas a profissionais talentosos, em meio de carreira, com forte capacidade de liderança e influência. Cobrem todas as despesas de um programa de mestrado de um ano na Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte ou País de Gales, e oferecem aos bolsistas acesso a diversas experiências acadêmicas, profissionais e culturais exclusivas. Não há limite de idade para candidatar-se.

Esse é o caso de Lua Stabile, mineira de 26 anos, que está no Reino Unido há quase 12 meses fazendo seu mestrado em Estudos de Gênero e Relações Internacionais, na Universidade de Birmingham. Formada em Relações Internacionais pelo Centro Universitário de Brasília, Lua conta que fez seu primeiro intercâmbio na Alemanha durante o ensino médio, quando ainda morava em Patos de Minas. “Durante a graduação, também fui bolsista do programa Emerging Leaders in the Americas no Canadá, onde estudei por um semestre. Ao retornar a Brasília, em meados de 2014, comecei a estagiar na agência da ONU para refugiados – ACNUR e, na sequência, fiz outro estágio no Ministério dos Direitos Humanos”.

A partir de agosto de 2015, Lua iniciou sua transição como mulher transexual e se engajou no movimento social de pessoas LGBT e Trans. “No final desse mesmo ano, estagiei por sete meses na agencia da ONU para HIV/AIDS, a UNAIDS. Em julho de 2016, me formei e comecei uma nova experiência na coordenação da ONU. Ali, pude me envolver bastante com o setor de Diretos Humanos, que abriga a campanha Livres e Iguais, voltada à promoção da igualdade de direitos e tratamento justo da população LGBTI. A oportunidade foi muito rica e particularmente interessante. É que no âmbito da Livres e Iguais, pude apoiar a coordenação do projeto Trans-Formação, que tinha forte parceria com movimentos nacionais e locais de pessoas Trans, o governo do Distrito Federal e o Ministério Público do Trabalho. Envolvia a formação política de cerca de 24 pessoas Trans, com o objetivo de fortalecer o movimento social no Distrito Federal e entorno.

Em junho de 2017, Lua recebeu a noticia de que havia sido selecionada para o programa de bolsas Chevening. “Foi um momento bem feliz. Nos dois meses anteriores a minha partida, me envolvi bastante com o movimento social de pessoas Trans, e coordenei uma campanha pela despatologização das identidades Trans, que foi lançada quando viajei”.

Lua conta que a experiência na Inglaterra foi muito bacana. “Aprendi bastante, fiz uma rede de contatos forte e interessante. A oportunidade de ter uma bolsa permite que você se dedique intensamente aos estudos. No Brasil eu sempre estudei e trabalhei e é duro ter que conciliar tantas coisas na agenda. Foi muito bom ter esse tempo que a bolsa oferece para me dedicar integralmente aos estudos, fazer pesquisas mais avançadas e poder participar de fóruns, congressos e conferências. Também gostei da oportunidade de conhecer pessoas. Aqui no Reino Unido as universidades são realmente internacionais, o que propicia um networking intenso. Aprendi muito com todas que conheci. Elas não só me proporcionaram um melhor entendimento e relação com as diferenças culturais, como também uma abertura para ouvir diversas perspectivas sobre o mesmo assunto”.

Embora tenha vivenciado aspectos muito positivos como mulher Trans no Reino Unido, Lua teve algumas surpresas que não esperava. “A violência no Brasil é muito grande, especialmente quando direcionada ao nosso grupo. A diferença para mim aqui foi a segurança, nada aconteceu comigo. Ao mesmo tempo, o estado britânico não tem tantas políticas e direitos destinados à população Trans como eu esperava. No Brasil, apesar de nossos direitos serem poucos, mais políticas têm sido pensadas. O Supremo Tribunal Federal já autorizou a mudança de nomes e identidades de pessoas Trans. Esse processo aqui no Reino Unido ainda é bem difícil, assim como o acesso à saúde. Acabei ficando com sentimentos mistos. Os britânicos são bem tradicionais, há uma xenofobia latente por conta da questão da imigração e o conservadorismo é bem claro. Ver tudo isso de perto foi um pouco decepcionante e assustador. Em alguns momentos tive a sensação de não ser muito bem-vinda. No curso, nós todos éramos bastante críticos no que diz respeito a essas questões, é claro, mas nos locais onde há muita segurança como aeroportos e estações de trem, a agressividade com os que parecem “diferentes” é bem visível.

Acho que só na Escandinávia mesmo há uma situação próxima do ótimo para nós. No entanto, reforço que a questão da segurança que senti foi fundamental. O fato de eu não ter sido violentada física ou verbalmente esse tempo todo foi especial, uma situação bem diferente da que eu vivo no Brasil. Apesar da xenofobia, o Reino Unido é muito plural e diverso. Por conta disso, é fácil passar despercebida”, ela explica.

Lua volta em uma semana para Brasília. Quer continuar contribuindo para o movimento social, especialmente para os projetos e atividades da União Libertaria de Travestis e Mulheres Transexuais. Também quer continuar a trabalhar com direitos humanos e gênero, se possível na própria ONU ou em alguma outra organização voltada a essas temáticas.

A bolsista explicou que o Chevening foca bastante em lideranças e em pessoas cujas atividades mostram que elas têm essa experiência. “Às vezes eu percebo que as pessoas têm um pouco de medo dessa palavra, como se ser um líder fosse ser alguém importante ou uma forma de reconhecimento social. Ser um líder vem da própria pessoa. Vejo gente altamente capacitada, à frente de ações, movimentos ou atividades, que não percebe o valor do que realiza. É importante que essas pessoas se vejam como lideranças valiosas nas atividades em que estão envolvidas. É fundamental trazer os exemplos de sua liderança para o processo do Chevening, não importa onde você experimentou isso. Também é importante demonstrar que você tem capacidade de criar uma rede de contatos que apoie a realização ou conclusão de um projeto que impacte o desenvolvimento do Brasil, em todos os âmbitos. O Chevening quer saber como tudo que você realizou e quer realizar pode mudar o país, nacionalmente ou localmente.

Eu sempre fui boa aluna, minhas notas eram relativamente altas e o histórico escolar é analisado no processo. Mas se sua experiência for relevante e o seu plano de carreira estiver alinhado a ela, esses aspectos terão um peso no processo seletivo. Estudar inglês e dominar o idioma é fundamental. A oportunidade da bolsa é maravilhosa, traz os melhores frutos. Se você tem interesse, dedique-se a estudar inglês, 30 minutos por dia. Acredite, sua vida pode mudar bastante. Explore o que a sua rede de contatos oferece, veja se não há professores voluntários em sua cidade. O Chevening é um processo que exige persistência, mas que vale a pena, porque os resultados são muito maiores do que você pode imaginar. Seja perseverante, dedique-se a este projeto. Mostre seus planos de futuro para o Brasil e conte ao Chevening como e porque o Reino Unido pode ser um parceiro nesse processo”. 

Por uma coincidência do destino, a publicitária brasiliense Amanda Talamonte, de 31 anos, que acaba de ser selecionada pelo mesmo programa de bolsas, trabalhou com Lua na ONU. Formada em comunicação social pela Católica de Brasília, Amanda tem pós-graduação em Assessoria de Comunicação pelo Instituto de Educação Superior de Brasília – IESB.

Ao longo de seus 10 anos nas Nações Unidas, Amanda trabalhou no Programa da ONU para o Meio Ambiente em Brasília e Nairobi, e na ONU Mulheres. Fazia assessoria de comunicação, relações públicas e coordenação de campanhas e eventos. Ela também é organizadora dos eventos TEDx Brasília e TEDx Parque das Nações Women. Sempre desejou trilhar uma carreira internacional. Candidatou-se à bolsa Chevening e, nas próximas semanas, vai partir para a Universidade de Warwick, onde fará seu mestrado em Global Media and Communications.

“O processo do Chevening foi longo e absorveu muita energia. São três candidaturas para universidades no Reino Unido, a prova do IELTS e a candidatura à própria bolsa. Foi um investimento grande de tempo e dedicação para poder ser escolhida para a entrevista, que só aconteceu seis meses depois.

As candidaturas para o Chevening abrem em agosto e se encerram em novembro, e as entrevistas começam em fevereiro, terminando em abril. A entrevista é o momento em que você tem a oportunidade de mostrar a eles que é uma candidata interessante para o Reino Unido. Eu investi nisso, tirei férias só para me preparar e estudar para a prova de inglês. Organizei meu calendário no último ano para o Chevening. Não se trata só de se inscrever, é importante você se dedicar ao application”, explica.

A trajetória internacional da publicitária começou aos 18 anos, quando viveu com uma família americana na Carolina do Sul, EUA, por dois anos. “Foi lá que aprendi o idioma. Eu era Au Pair e cuidava das crianças. À noite fazia um curso de inglês. Essa experiência determinou minha escolha de seguir uma carreira internacional, eu queria experimentar o mundo.

Comecei a trabalhar no primeiro ano da faculdade, fiz um estágio na ONU. Fui boa aluna durante o curso e tirei a nota máxima em meu trabalho de conclusão. No entanto, estou certa que minha trajetória profissional foi um diferencial no processo do Chevening. Ter organizado e promovido campanhas em nível nacional e global, assim como ter morado no Quênia por dois anos, fez diferença”, ela reforça.

“Estou animada com a oportunidade de fazer o mestrado na Universidade de Warwick, uma das top 10 do Reino Unido. É a primeira vez que serei só estudante e que vou poder me dedicar integralmente a isso. A perspectiva de estudar comunicação global, considerando outras culturas e contextos históricos em um ambiente multicultural me empolga. É uma experiência que vai agregar valor a minha carreira como comunicadora”.

Como Lua, Amanda também gosta de trabalhar nas áreas de direitos humanos e igualdade de gênero. “Poder me desenvolver nesses temas é importante para mim. A Lua foi uma das pessoas que incentivou minha candidatura à bolsa Chevening. Ela é ótima, sempre que eu tinha que fazer uma campanha que fazia referência a temática Trans, procurava a Lua para me ajudar no desenvolvimento dos conteúdos.

Assim que retornar ao Brasil vou buscar oportunidades em organizações internacionais e a expectativa, com o mestrado, é de conseguir uma vaga em um cargo um pouco mais avançado. Quero aproveitar meu tempo no Reino Unido ao máximo e, como meu programa permite, vou estender minha estada por mais seus meses para fazer um estágio ou trabalho voluntário”.

Às duas, meus votos de sucesso. Bem vinda de volta Lua, sua presença vai fazer uma diferença grande aqui no Brasil. Boa jornada Amanda, que esta experiência no Reino Unido agregue valor à sua carreira e ao nosso país!

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. 

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